IGREJA PENTECOSTAL BETÂNIA

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Fort Lauderdale
Florida - USA

Existe uma Segunda Chance?

por Rev. Eronides DaSilva

Compromissos Pessoais

O compromisso pessoal, o sentimento humano e o medo de enfrentar as controvérsias, são uns dos maiores inibidores para que o homem de Deus se emudeça diante das infames doutrinas duvidosas atualmente espraiadas na esfera da igreja. Quando, em 1982, levantei uma tese sobre os pretensos católicos romanos carismáticos, fui confrontado pelos meus melhores amigos, os quais argumentaram querer ser eu dono vitalício único da verdade! Hoje, como nunca, concluo que o silêncio dos justos contra os ensinos heréticos, fazem tão mal quanto a ausência na proclamação da verdade! Sublinho aqui as palavras de Norberth Lieth, da obra “Alle wege führen nach Rom” — Todo caminho leva a Roma: “Quem se cala diante do pecado, da injustiça e das falsas doutrinas não ama de verdade. A Bíblia diz que o amor ‘não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade’ (1 Co 13:6). O apóstolo Paulo estava disposto a ser considerado maldito por amor ao seu povo, mas não cedia um milímetro quando se tratava da verdade em Cristo. Mas pior do que discutir é tolerar falsas doutrinas sem protesto e sem contestação. A Reforma Protestante só foi vitoriosa porque houveram discussões. Se fosse correta a opinião de certas pessoas que amavam à paz acima de tudo, nunca teríamos tido a Reforma. Por amor à paz deveríamos adorar à virgem Maria e nos curvar diante de imagens e relíquias até o dia de hoje. O apóstolo Paulo foi a personalidade mais agitadora em todo o livro de Atos, e por isso foi espancado, apedrejado e deixado como morto, acorrentado e lançado na prisão, arrastado diante das autoridades, e só por pouco escapou de uma tentativa de assassinato. Suas convicções eram tão decididas que os judeus incrédulos de Tessalônica se queixaram: ‘Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui’ (At 17:6). Deus tenha misericórdia dos pastores cujo alvo principal é o crescimento das suas organizações e a manutenção da paz e da harmonia. Eles até poderão fugir das polêmicas, mas não escaparão do tribunal de Cristo.”

Um dos exemplos atuais mais tediosos, e que está levando às suas redes milhares de cristãos leigos do primeiro ao quarto mundo, é a aceitação do irresponsável ensino que após o arrebatamento da igreja haverá uma outra oportunidade para os que ficarem para trás.

Exemplos Tediosos

Um dos exemplos atuais mais tediosos, e que está levando às suas redes milhares de cristãos leigos do primeiro ao quarto mundo, é a aceitação do irresponsável ensino que após o arrebatamento da igreja haverá uma outra oportunidade para os que ficarem para trás. Esta é a mensagem subliminar dos famosos filmes de cunho cristão, The Omega Code — O Código Omega, The Vanished — Os Desaparecidos e The Left Behind — Os Deixados Para Trás. Neles, o diretor teve a sutileza de inserir imagens e aconselhamentos pastorais de renomados tele-evangelistas atuais, como: Reverendo John Hagees, Bispo T.D. Jakes e Evangelista Benny Hinn.

Este ensino e a longa lista de precauções que devem ser tomadas pelos pretensos infortunados que ficarem para trás, são desprovidos de um total consenso exegético, e têm entorpecido a escatologia bíblica nos corações de muitos crentes, incentivando-os a viver uma vida cristã irresponsável e acomodada! O modismo eclesiástico atual e o descompromisso com a teologia, na corrupção das três doutrinas bíblicas, uma única queda passiva de restauração, uma única restauração do ser humano e uma única porta da graça oferecida aos Gentios, é uma evidência do grau da síndrome na qual se encontra infectada a presente sociedade evangélica.

Duas Portas

Existem duas portas dispensacionais para os Gentios nas Escrituras Sagradas: a porta do domínio político, e a porta da salvação espiritual. A porta de domínio político, que estende-se desde a imigração de Israel para o Egito até o seu livramento do Império Romano ressuscitado, no final da Grande Tribulação, está mencionada no Pentateuco, nos profetas maiores e menores e, mais tarde, reafirmada pelo próprio Jesus, nos Evangelhos: 1) o Egito, primeiro império gentílico simbolizado por um dragão (Is 51:9 e Ez 17:1-24); 2) a Assíria, segundo império gentílico, representado por um leão (Jr 50:17-18); 3) a Babilônia, terceiro império gentílico, representado pela cabeça de ouro da estátua, um leão com asas e uma águia (Dn 2:38; 7:4); 4) os Medos-Persas, o quarto império gentílico, representado pelo peito de prata e o carneiro (Dn 2:39; Dn 7:5); 5) a Grécia, quinto império gentílico, representado pelo ventre de bronze e o leopardo de quatro cabeças (Dn 2:39; 7:6; 8:8,9); 6) e o Romano, sexto império gentílico a dominar as nações em duas fases distintas, simbolizadas pelas duas pernas de ferro e a besta de dez chifres (Dn 2:33,40; 7:7,8; Lc 21:24; Ap 13:1, 11; 17:1-6). A porta de liderança política aberta para os Gentios será fechada por ocasião da vitória de Cristo contra o governo global do Anticristo — "e cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem" (Lc 21:24); “E seguiam-no os exércitos no céu em cavalos brancos, e vestidos de linho fino, branco e puro” (Ap 19:14).

A parábola das dez virgens é a tônica doutrinária do fechamento da porta:
"e fechou-se a porta!"

Entretanto, a porta da salvação espiritual, conhecida como porta da graça de Deus oferecida aos Gentios, estende-se desde a ocasião da rejeição do Messias pelos Judeus (Jo 1:11; Mt 21:43) até o arrebatamento da igreja, quando fechar-se-á para dar ocasião ao início a última semana das setenta de Daniel — “setenta semanas estão determinadas sobre teu povo e sobre a santa cidade.” (Dn 9:24). Não é que a graça de Deus vai acabar, mas que o período da porta de salvação espiritual aberta graciosamente para todas as gentes terminará — "mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" ( Jo 1:12). A parábola das dez virgens é a tônica doutrinária do fechamento da porta — e fechou-se a porta! As virgens, representando as duas igrejas do tempo do fim - a de Filadélfia (a fiel) e a de Laudicéia (a comprometida); uma que subirá e outra que ficará, claramente mostra que não haverá uma segunda chance para os que ficarem para trás. Primeiro, porque a porta que Deus fecha ninguém abre; segundo, os que ficarem, independente de sua predestinação como igreja (lamparinas), ou eleição como indivíduo, ficarão de fora, ou porque não terão o Espírito em suas vidas (azeite), ou porque uma vez o tiveram e o perdeu.

Queda e Restauração

Dentro de uma pura exegese bíblica e descomprometida hermenêutica, só existe uma queda possível de uma regeneração — a queda em Adão! O desvio, o crente pode experimentar várias vezes, sem, entretanto, a princípio ter o risco de perder sua salvação, ficando sem azeite; mas o cair só ocorreu uma única vez! Não se pode recair e ser regenerado pela segunda vez:

(Hb 6:4-6) - "porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e a virtude dos séculos futuros, e recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento.";

(Hb 10:26,27) - “porque se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas uma certa expectação horrível de juízo”;

(2 Pe 2:20) - “Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro”;

(1 Jo 5:16) - “se alguém vir pecar seu irmão pecado que não é para a morte, orará, e Deus dará vida àqueles que não pecarem para a morte”;

(Mt 12:32) - “mas se alguém blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro”!

Sim, podemos nos desviar, e sermos restaurados! Entretanto, se cairmos da graça nunca mais poderemos ser restaurados! Fundamentalmente, sabemos que a salvação não vem pelas obras, "porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie" (Ap 3:7; Ef 5:8,9). A Soteriologia nos confere o seguinte ponto de vista doutrinário: o homem caiu uma vez no “Primeiro Adão” (que veio em alma vivente), e só pode ser regenerado uma vez, pela fé, em Cristo Jesus, o “Segundo Adão” (que veio em espírito vivificante) — "pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram" (Rm 5:12). Assim, conclui-se que, tanto antes ou depois do arrebatamento, os que por infelicidade caíram, rebelando-se contra Deus ou pecando contra o Espírito Santo não estarão mais possibilitados ao arrependimento, ação esta inerente ao Espírito Santo para a regeneração que qualquer ser humano!

Portanto, durante a Grande Tribulação, conforme a fraseologia bíblica, podem dar o pescoço ou deixar de dar, porque não mudará a sentença determinada para os negligentes que ficaram para trás - "e, ele respondendo, disse: em verdade vos digo que não vos conheço" (Mt 25:12). Cristo só tem uma noiva, não tem concubinas. Deus nos guarde a todos! Obviamente, entendemos, historicamente, que será um ato de coragem muito grande para os que, por um mero sentimento religioso culposo, dispuserem seus pescoços à guilhotina! Haverá sempre heróis que se sacrificarão por uma causa nobre ou não, como fez o terrorista americano, Timothy McVeigh. Porém, o Senhor Deus não quer sacrifício, mas sim obediência. E, obediência, já! Pois, assim como Deus atuou com Faraó, rejeitando seu coração endurecido, estes já terão seus corações empedernidos aqui na terra pela ocasião da Vinda de Cristo para arrebatar a sua santa igreja!

Portanto, durante a Grande Tribulação, conforme a fraseologia bíblica, podem dar o pescoço ou deixar de dar, porque não mudará a sentença determinada para os negligentes que ficaram para trás - "e, ele respondendo, disse: em verdade vos digo que não vos conheço" (Mt 25:12).

Deixados Para Trás

Não nos deixemos enganar, pois diga-se de passagem que no final não terá nenhum recaído dando o pescoço para ser cortado, ou suas veias para serem dessecadas, muito pelo contrário, serão eles que perfilarão para fazer coro junto com o Conselho de Igrejas do Anticristo; serão eles que denunciarão os judeus fiéis ao Comitê de Julgamento Sumário; serão eles que cantarão no grande coral orquestrado pelo Falso Profeta; serão eles que, pelas madrugadas tenebrosas, se embriagarão com o vinho da Grande Prostituta (Ap 17:1-5), a qual reconhecerá espiritualmente todos aqueles que antes do arrebatamento deitaram-se em suas camas malfasejas! E, mesmo porque, se na época da graça, com o Espírito Santo, com a Palavra, com a Igreja, não fizeram caso do Evangelho, deram as costas à Deus, muito menos naquela época, quando não terão ninguém, estarão abandonados. Os milhares que serão ceifados pela atrocidade diabólica do governo do Anticristo serão "aqueles que não estão contaminados com mulheres, porque são virgens... e estes, cantavam um cântico novo diante do trono" (Ap 14:3-4). A igreja não estará diante do trono, e sim no trono — Beema: "para que onde eu estiver, eles estejam comigo... ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono" (Jo 17:24; Ap 3:21).

A oportunidade ímpar oferecida por Deus aos gentios, que por muitos é despresada, e até feito dela chacotas e escárnios, terminará! A Grande Comissão iniciou com uma prerrogativa de alcance mundial, “ide por todo o mundo” (Mc 16:15); aos amorosos encontros de Jesus com essa gente pobre, desprovida de carinho e pária da sociedade, ele sempre reafirmou terem eles muita confiança, e ainda disposto para lhes aumentar a fé em Deus (Lc 17:5); o sol que haveria de nascer para o Povo Eleito, seria por fim a esperança dos gentios (Mt 12:21); Pedro não foi poupado em descer do seu pódio elitista para, correndo, anunciar à Cornélio que Deus tinha boas novas para ele (At 10:22); e ao ladrão da cruz ofereceu um especial colorido à graça de Deus — “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23:43)! Nunca Deus ofereceu tanto tempo, amor e paciência como para conosco, os gentios: dois mil anos de pregação do Evangelho, seguidos de milagres e prodígios; dois mil anos de genocídios contra o povo de Deus, no objetivo e afã de encontrar alguém distante que pudesse erguer suas mãos à salvação; ninguém nunca foi tão amado, tão protegido e tão abençoado como temos sido eu e você! O tempo se aproxima, a contagem é regressiva e urgente, a página vai mudar, e, queiramos ou não queiramos, o Soberano Deus vai por fim em seu grande projeto de salvação — primeiro dos Judeus, depois dos Gentios.

Mas a insistência continua por parte daqueles que tentam direta ou indiretamente enganar aos crentes sinceros com suas incautas pregações: o que falar dos milhares que procederão de todas as nações, tribos, povos e línguas (Ap 7:9)? Primeiro, é que a igreja — gentios ou judeus salvos desde o tempo do ministério terreno de Jesus até o Arrebatamento — não cantará um cântico de Moisés e muito menos terá palmas nas mãos (Ap 7:9; 15:3)! Segundo, é que a fraseologia hebraísta nações, tribos, povos e línguas, não refere-se aos Gentios, e sim a uma etnia judaica extraída dentre os gentios pela explosiva pregação do Evangelho do Reino pelos 144 mil evangelistas das doze tribos de Israel, e pela extraordinária presença das Duas Testemunhas durante os dois últimos terços da Grande Tribulação (Ap 7:3; 11:1-11)! A divina polarização dos milhares que ouvirão a pregação do Evangelho do Reino, e o aceitará, será um dos maiores milagres da história, seguido o da ressurreição! Os bem-aventurados que forem arrebatados, os infelizes que ficarem para trás pelo conto do vigário evangélico, contemplarão, uns de cima e outros de baixo, o maior milagre da história: brasileiros, chineses, russos, portugueses, africanos, ingleses, chilenos ou de quaisquer autóctones, serem identificados como israelitas: “porque nem todos os que são de Israel são israelitas” (Rm 9:6) — a mesma verdade é paralela, pois mesmo “destas pedras Deus pode suscitar filhos à Abraão” (Mt 3:9).

Conforme a estrutura genética e a genealogia horizontal judaica, os responsáveis por uma linhagem é o ser masculino. Daí, Jesus Cristo ter sido eleito rei por tríplice maneira: nascimento, herança e conquista! Dai, as duas genealogias de Jesus; a paternal apresentada no Evangelho de Mateus, e a maternal no Evangelho de Lucas, aparecerem ambas terminando em José. Israel teve três grandes diásporas: de dez tribos, durante o cativeiro da Assíria, no ano 721a.C.; de duas tribos durante o cativeiro da Babilônia, no ano 586a.C.; e dos remanescentes, durante a invasão do general Tito — o cativeiro de todas as nações, no ano 70d.C. A casa ficou literalmente deserta! Esta mistura de raças oriunda das diásporas, deu uma nova composição étnica para os descendentes de Abraão. Somente pelo grande milagre de Deus, é que, de entre as nações, povos, tribos e línguas, ele literalmente extrairá os 144 mil para serem os evangelistas durante a Grande Tribulação! O perfil Escatológico das Setenta Semanas de Daniel (Dn 9:24-27), assim como o reinício da pregação do Evangelho do Reino, designa, claramente, que a finalidade da Grande Tribulação, ou a última das setenta semanas, será exclusivamente para 1) salvação de Israel, 2) punição dos gentios, 3) julgamento das nações que apoiaram o povo de Deus e, 4) o estabelecimento do Milênio - nada mais nem nada menos!

Ainda Existe Esperança

Lembremo-nos: hoje é o dia aceitável da salvação! Tudo que temos de fazer em prol da obra do Mestre, tudo aquilo que temos de realizar em benefício da nossa própria vida cristã, façamos hoje! A porta do perdão, da reconciliação, da prosperidade, do amor e da graça está aberta, e bem aberta! Para que deixar para amanhã o que podemos fazer hoje? Como está gravada a inscrição seguinte numa rocha lunar, no museu espacial do Cabo Canaveral, Flórida: “ontem foi passado, amanhã será um sonho, hoje é uma realidade”! O irmão João Diener no estribilho do seu hino congregacional conseguiu sensibilizar a muitos, quando cantava: “Meu amigo, hoje tu tens escolha: vida ou morte, qual vais aceitar? Amanhã pode ser muito tarde, hoje Cristo te quer libertar!” - "portanto, como diz o Espírito Santo, se ouvirdes hoje a sua voz, não endureçais os vossos corações" (Hb 3:7). Cuidado com o vigário evangélico, ele quer ter suas audiências cheias, seus nomes em letras garrafais nos outdoors, sua aperfeiçoada estética permeada na mídia, suas contas bancárias bem abarrotadas e suas consciências mercadológicas bem sucedidas e tranquilas, não importando que para tal o adepto vá para o céu ou para o inferno!

Apreciaríamos que os líderes pudessem orientar, exortar e orar por todos os cristãos, para que exerçam a prática da santidade bíblica (hagiasmos) nas suas vidas, sem a qual ninguém verá a Deus nem antes ou depois do arrebatamento! As mesmas Escrituras afirmam, “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 5:23). Deus guarde a todos nós!